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Maripossa

Tudo que tem asas deve voar,por isso a borboleta selvagem o faz sem nunca olhar para onde.

Maripossa

Tudo que tem asas deve voar,por isso a borboleta selvagem o faz sem nunca olhar para onde.

Abraça-me


Abraça-me. Quero ouvir o vento que vem da tua pele, e ver o sol nascer do intenso calor dos nossos corpos. 
Quando me perfumo assim, em ti, nada existe a não ser este relâmpago feliz, 
esta maçã azul que foi colhida na palidez de todos os caminhos,
e que ambos mordemos para provar o sabor que tem a carne incandescente das estrelas. 
Abraça-me. Veste o meu corpo de ti, para que em ti eu possa buscar o sentido dos sentidos,
o sentido da vida. Procura-me com os teus antigos braços de criança, para desamarrar em mim a eternidade, 
essa soma formidável de todos os momentos livres que a um e a outro pertenceram. 
Abraça-me. Quero morrer de ti em mim, espantado de amor. Dá-me a beber, antes, a água dos teus beijos, 
para que possa levá-la comigo e oferecê-la aos astros pequeninos. 
Só essa água fará reconhecer o mais profundo, o mais intenso amor do universo,
e eu quero que delem fiquem a saber até as estrelas mais antigas e brilhantes. 
Abraça-me. Uma vez só. Uma vez mais.
Uma vez que nem sei se tu existes. 

Joaquim Pessoa, in 'Ano Comum'
 

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