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Maripossa

Tudo que tem asas deve voar,por isso a borboleta selvagem o faz sem nunca olhar para onde.

Maripossa

Tudo que tem asas deve voar,por isso a borboleta selvagem o faz sem nunca olhar para onde.

Pesca Predatória

18.02.08, maripossa
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Muitos ecologistas marinhos acreditam que a maior ameaça aos ecossistemas marinhos nos dias de hoje seja a pesca em excesso. Nosso apetite por peixe está excedendo os limites ecológicos dos oceanos, com impactos devastadores em muitos ecossistemas. Os cientistas advertem que o excesso de pesca resulta em profundas alterações nos oceanos, mudando-os talvez para sempre. Sem mencionar nossa refeição de cada dia - no futuro, um prato de sardinhas poderá ser considerado uma iguaria cara e rara.

Mais freqüentemente do se imagina, a indústria da pesca ganha acesso a grupos de peixes antes que o impacto da pesca seja estimado. De qualquer modo, os regulamentos da indústria de pesca são tremendamente inadequados.

A realidade da pesca moderna é que a indústria é dominada por frotas de pesqueiros que não dão chance à natureza de repor as espécies. Navios gigantescos usando sonares de busca de última geração podem apontar com precisão cardumes de peixes. Os navios são equipados para que funcionem como verdadeiras fábricas flutuantes – incluindo linhas de produção, processamento e embalagem de peixes, imensos sistemas de refrigeração e motores poderosos para arrastar equipamentos pesados através do oceano. Ou seja: o peixe não tem chance.

Greenpeace


Rabiscado por Agulheta

Enesperado Encontro

18.02.08, maripossa

Ele estava sentado num ramo caído.

Era magro, grisalho, e segurava um raminho com que ia desenhando enigmáticos sinais no chão.

Parecia absorvido no meio cinzento, uniforme, em que o englobavam a terra e o céu.

O colete era castanho. A camisa verde azeitona. As calças estavam rotas, manchadas, queimadas nas bainhas.

Os dedos dos pés saíam da biqueira das botas.

Eu viera caminhando ao acaso pelo campo, deixando o caminho pedregoso que me balançava os ossos a cada passo.

Cansava a monotonia daquela cor única, tom sobre tom de cinza, até onde a vista alcançava.

Quando dera com a pequena figura, estava já tão perto dela que me sobressaltei, por inesperada e porque por pouco a não pisei.

Mas ele nem pestanejou. Continuou desenhando no chão com a ponta do galho.

Discerni estrelas e folhas entre sinalefas.

Um respeito enorme me invadiu.

Queria meter conversa, perguntar-lhe quem era, o que fazia… mas sentia um nó na garganta.

Magoava-me porém a sua absoluta indiferença.

Jamais imaginara que fossem reais e não lendas; que existissem em terras do sul, pois tudo o que lera sobre eles se passava em setentrionais lugares, de abetos, aceres, veados de galhadas descomunais disputando os seus haréns sobre tapetes fofos de folhas carmim e ouro, verdes relvas, riachos cantantes que em breve seriam fitas de gelo.

No entanto, ali estava, bem vivo, o gnomo.

Devagarinho, porque as pernas me doíam, fui-me agachando, sem ruído. Fiquei a observá-lo e aos desenhos que fazia. Envolveu-os num círculo, de forma brusca, levantado poeira e cinza.

Então fitou-me com penetrantes olhos azuis.

- Tardará muito até que tudo volte a ser como antes, disse.

Eu assenti com a cabeça.

- As sementes perderam o alimento que continham. Só as que jazem muito fundo se salvaram, mas a água custará a chegar-lhes, agora mais do que nunca.

- A primeira chuva não penetrará a terra, disse eu.

- Pois não! Escorrerá pela encosta como sobre gabardina. A crosta de cinza é muito espessa.

- E não há nada que a retenha…

- Isso mesmo!

- O rio no fundo do vale secou, ficará tão feliz quando sentir humedecer-se o leito!

- A princípio, sim. E cantará muito alegre, fazendo rolar os seixos. Ficará à escuta do eco… mas não soará eco algum neste deserto!

- Ele precisa beber muito, está sedento!

- Mas não poderá conter toda a água que escorrer. Sufocará.

- E os ovos dos peixes e das rãs, onde estão?

- Debaixo das pedras maiores, em ninhos de musgo… mas poucos sobreviverão.

- Reparei nos teus desenhos, disse eu, mudando de assunto.

- Ah, reparaste?!

- Sim. Mas só entendi alguns.

- Isso é bom. Costumo deixá-los mas as pessoas recusam vê-los.

- Porquê?

- Porque têm medo. É mais cómodo não perceber. A pureza encontra-se no limiar da vida.

- Não compreendo bem o que queres dizer.

- Repara: As estrelas são luz, as folhas são espelhos. Tocam-se e o milagre acontece. Tudo morre e tudo volta a viver. A morte mete medo às pessoas que só vêem o lado negro das coisas. Esquecem que nada é eterno, e que o limiar da existência é o nosso ponto de encontro.

Levantou-se e, sem me dizer adeus, afastou-se em passo firme, até quase se fundir no horizonte.

Ainda lhe gritei:

- Porque deixas os desenhos no chão?

- Para que os astros se condoam.

Maria Petronilho