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Maripossa

Tudo que tem asas deve voar,por isso a borboleta selvagem o faz sem nunca olhar para onde.

Maripossa

Tudo que tem asas deve voar,por isso a borboleta selvagem o faz sem nunca olhar para onde.

Lembranças do Antes de Abril

23.04.08, maripossa
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Era uma noite,serena mas com algum sobressalto da hora;eu dormia calma e serena como toda a criança o faz,despreocupada das coisas,e das lembranças,só tem na mente os sonhos.
Pois seria seis horas da manhã,de uma triste manhã,já muito distante,bateram a porta,aquele bater não era normal,mas trazia os ventos da violência e destruição.
Eram homens alguns para um só,entraram de rompante como se fossem os donos de alguma coisa, a casa virou desgraça,que valia ser criança,ou mulher,a ordem era para cumprir,levar bater e mais bater até as pessoas falarem,ai pegaram o Pai indefesso e maltratado como se de cachorro se trata-se,até esses querem respeito,nem a Mãe se conseguia chegar para ele pois a afastaram,os meus ouvidos ainda ouvem a frase( chega mulher para trás se não queres ir junta),pois na cabeça de uma criança jamais esquecerá esta memória,que meu coração guarda com (raiva)desse dia.
Por isso quem não gostar da lembrança,passe em frente,por esta razão gosto do dia que Abril abriu e não se bateu em mais ninguém, por ter ideias e gostos diferentes.
Se me perguntarem se é este Abril que gosto para o meus país, NÃO! quero outro,onde não tenha-mos de pedir esmolas,onde cada família tenha seu pão e trabalho,mais solidariedade e amizade pelas pessoas,pelos velhos, que lhe dão a triste esmola da reforma,que nem chega para comer,basta de falsos,moralismos de quem tem na boca, Abril! mas quero o verdadeiro,que faz a união e liberdade,e fraternidade

Lembrança ao Homem de Abril

23.04.08, maripossa

Fernando José Salgueiro Maia (Castelo de Vide, 1 de Julho de 1944 — Santarém, 4 de Abril de 1992), militar português.
Salgueiro Maia, como se tornou conhecido, foi um dos distintos capitães do Exército Português que liderou as forças revolucionárias durante a Revolução dos Cravos, que marcou o final da ditadura. Filho de Francisco da Luz Maia, ferroviário, e de Francisca Silvéria Salgueiro, frequentou a escola primária em São Torcato, Coruche, mudando-se mais tarde para Tomar, vindo a concluír o ensino secundário no Liceu Nacional de Leiria. Licenciou-se em Ciências Sociais e Políticas e em Ciências Etnológicas e Antropológicas.

Em Outubro de 1964, ingressa na Academia Militar, em Lisboa e, dois anos depois, apresenta-se na Escola Prática de Cavalaria (EPC), em Santarém, para frequentar o tirocínio. Em 1968 é integrado na 9ª Companhia de Comandos, e parte para o Norte de Moçambique, em plena Guerra Colonial, cuja participação lhe valeu a promoção a Capitão, já em 1970. A Julho do ano seguinte, embarca para a Guiné, só regressando a Portugal em 1973, onde seria colocado na EPC.

Por esta altura iniciam-se as reuniões clandestinas do Movimento das Forças Armadas e, Salgueiro Maia, como Delegado de Cavalaria, integra a Comissão Coordenadora do Movimento. Depois do 16 de Março de 1974 e do «Levantamento das Caldas», foi Salgueiro Maia, a 25 de Abril desse ano, quem comandou a coluna de carros de combate que, vinda de Santarém, montou cerco aos ministérios do Terreiro do Paço forçando, já no final da tarde, a rendição de Marcello Caetano, no Quartel do Carmo, que entregou a pasta do governo a António de Spínola. Salgueiro Maia escoltou Marcello Caetano ao avião que o transportaria para o exílio.

A 25 de Novembro de 1975 sai da EPC, comandando um grupo de carros às ordens do Presidente da República. Será transferido para os Açores, só voltando a Santarém em 1979, onde ficou a comandar o Presídio Militar de Santa Margarida. Em 1984 regressa à EPC.

Em 1983 recebe a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade, em 1992, a título póstumo, o grau de Grande Oficial da Ordem da Torre e Espada e em 2007 a Medalha de Ouro de Santarém.

Em 1989 foi-lhe diagnosticada uma doença cancerígena que, apesar das intervenções cirúrgicas no ano seguinte e em 1991, o vitimaria a 4 de Abril de 1992.

Frases e momentos para a História...

Madrugada de 25 de Abril de 74, parada da Escola Prática de Cavalaria, em Santarém:

"Há diversas modalidades de Estado: os estados socialistas, os estados corporativos e o estado a que isto chegou! Ora, nesta noite solene, vamos acabar com o estado a que chegámos. De maneira que quem quiser, vem comigo para Lisboa e acabamos com isto. Quem é voluntário sai e forma. Quem não quiser vir não é obrigado e fica aqui."

Todos os 240 homens que ouviram estas palavras, ditas da forma serena mas firme, tão característica de Salgueiro Maia, formaram de imediato à sua frente.Depois seguíram para Lisboa e marcharam sobre a ditadura.