Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Maripossa

Tudo que tem asas deve voar,por isso a borboleta selvagem o faz sem nunca olhar para onde.

Maripossa

Tudo que tem asas deve voar,por isso a borboleta selvagem o faz sem nunca olhar para onde.

Palavras de Torga

07.05.08, maripossa

Devo muito aos pés e aos olhos. Sem ajuda deles nem a alma estaria tão cheia, nem teriam surgido os livros onde tento esvaziá-la. A pisar incansavelmente o pó dos caminhos e a perscrutar sem desfalecimentos todos os horizontes, pude entesoirar emoções que nunca conseguirei esgotar, por mais consumo que lhes dê. Os homens ensinaram-me a pensar e a discernir; mas as coisas revelaram-me a beleza dos mistérios sem explicação.

Diante de uma seara a ondular,dum sobreiro descascado,dum esteval florido,sinto que a vida é mais larga do que um silogismo e mais bela do que um verso bem medido.

A atravessar fronteiras,de nações ou de freguesias,pude advinhar uma fraternidade futura,solidária e feliz no descampado universal. Li centenas de livros,e continuo a ler.Mas é na cartilha da natureza que aprendo o que à minha inquietação mais importa.Hoje,por exemplo,descobri que a paisagem alentejana é laica.

 

Ferreira do Alentejo

Miguel Torga

Anos Sessenta

07.05.08, maripossa
id="BLOGGER_PHOTO_ID_5197671853883119458" />

"Recepção a Humberto Delgado na Estação de S. Bento"

Os anos sessenta,foram os mais conturbados da minha vida.Primeiro pelas vivências políticas em casa,era um acordar em aflição a qualquer instante,sempre por causa do Pai,logo no fim dos anos cinquenta foi uma luta de conseguir,que Humberto Delgado fosse eleito,e houvese a derrota do regime era eu muito pequena.Com a vinda do mesmo ao Porto, em casa a minha mãe tinha sempre o coração nas mãos,pois a qualquer hora o Pai podia ser preso,ele era o sustento dos filhos,pois o que a Mãe conseguia como costureira,não seria o suficiente para a casa.
Me lembro bem,criança de pouca idade e o Pai ter de fugir,com outros amigos para parte incerta para não ser levado,onde deixou a minha mãe com grande aflição não sabendo o paradeiro do mesmo,ela o procurou em todos os lados e nada soube.Até que um dia de madrugada,onde o mesmo entrou pelo quintal,e vinha como um pobre,barba grande sujo e cheio de fome.
Nesse mesmo ano ele pensou em nós e acalmou um pouco,mas logo de seguida vieram mais e sempre mais,até um dia pelas seis horas da manhã,alguém bater a porta de mansinho e ser a PIDE,para o levar preso,onde a porrada a humilhação foi tanta a frente dos filhos crianças,que algum dia jamais irei esquecer,o que disseram e fizeram.
Só tenho pena que este Portugal de Abril,não fizesse justiça por aqueles que humilharam,bateram e maltrataram e que um dia se há uma justiça o possam fazer.
Irei a qualquer altura continuar até que a memória deixe o meu sentir,peço desculpa que quem não gostar de ler,feche a porta por favor devagar,para que o coração não sinta a dor,mas que os anos nunca apagaram a mesma