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Maripossa

Tudo que tem asas deve voar,por isso a borboleta selvagem o faz sem nunca olhar para onde.

Maripossa

Tudo que tem asas deve voar,por isso a borboleta selvagem o faz sem nunca olhar para onde.

O Unico Sabor

08.09.08, maripossa


Sabor, sabor oculto,
submerso,sabor adormecido, ó rosas, ó antes, primaveras,
sabor só abruptamente surto na queda do sono, no fulgor de um relâmpago,
surto, submerso.Ó sabor antes da consciência, antes de tudo,
ó sabor só nascido sobre a paz última de tudo para além de tudo,
sabor da terra ainda antes dos olhos,
sabor a nascer, sabor-desejo, antes do beijo, sabor de beijo,
sabor mais lento, mais fundo, mais de dentro,sabor a marulhar, cálido, denso, como a cor,
sabor de estar, sabor de ser,
ó tranquila degustação sem mandíbulas,
sabor de dentro como de um cheiro imemorial presente,
ó colinas esparsas, ó veios de águas sussurrantes,
somente ouvidos, nem sequer ouvidos, mas presentes, esparsos,
ó presença da terra nas pálpebras, num sabor acre da garganta,
ó estrelas, ó verdadeiras estrelas da infância,
ó sabor do escuro, do ventre, da espessura da noite, ó profundo sono de raízes,
ó água bebida ao rés da terra, ó sono da vida,
ó som de bichos, de tudo e nada, num só obscuro silêncio, ó terra junto a mim, ó grande e estranha terra,ó perdida proximidade, ó perdida longinquidade,
ó enorme som de búzio do mar, ó tranquilos jardins, ó sabor de cansaço,
ó sabor antes de mim,ó quando eu não sabia e tudo em mim sabia,
ó noite, ó espessura, ó outra vez a noite, outra vez esse sabor submerso, esse sabor do fundo, esse sabor bem longe, esse sabor total,esse sabor onde eu sinto a terra num só gosto,
esse sabor original, fonte de todo o sabor,surto submerso, ó único sabor.

 

António Ramos Rosa

 

 

 

Ler

08.09.08, maripossa


Ler é um hábito e os hábitos criam-se. A pessoa que frequentou a escola,ou mesmo o liceu,não se confunde necessariamente com a que está preparada para ler ou que tem na leitura um prazer difícil de dispensar.Ler, entre nós,sugere ainda extravagância,coisa de privilegiados e ociosos. Estamos,pois, longe dos países em que ler faz parte do quotidiano. No entanto,o panorama vai mudando e hoje,relativamente à população,verifica-se que a nossa quota de leitura não é de modo nenhum, vexatória.

Fernando Namora