Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Maripossa

Tudo que tem asas deve voar,por isso a borboleta selvagem o faz sem nunca olhar para onde.

Maripossa

Tudo que tem asas deve voar,por isso a borboleta selvagem o faz sem nunca olhar para onde.

Dia Mundial Contra a Sida

01.12.08, maripossa

Neste dia mundial contra a sida, todos nós podemos fazer a diferença. Cuidado e muito cuidado, cada dia que passa depois de haver informação parece que as pessoas não sabem nada a respeito da doença que mata todos os dias. Ela não se transmite por um sorriso ou um toque de mãos, mas a mesma pode matar se alguns de nós não for responsavel.Quem sofre este tormento são as crianças no mundo inteiro por culpa dos grandes, se deve informar como a mesma se transmite e ensinar bons costumes se recomenda,é tudo uma questão de responsabilidade, por vezes por um simples minuto de prazer. Para assinalar este dia que belíssimo poema.

 

 

Sida

 

aqueles que têm nome e nos telefonam

um dia emagrecem - partem

deixam-nos dobrados ao abandono

no interior duma dor inútil muda

e voraz

 

arquivamos o amor no abismo do tempo

e para lá da pele negra do desgosto

pressentimos vivo

o passageiro ardente das areias - o viajante

que irradia um cheiro a violetas nocturnas

 

acendemos então uma labareda nos dedos

acordamos trémulos confusos - a mão queimada

junto ao coração

 

e mais nada se move na centrifugação

dos segundos - tudo nos falta

 

nem a vida nem o que dela resta nos consola

a ausência fulgura na aurora das manhãs

e com o rosto ainda sujo de sono ouvimos

o rumor do corpo a encher-se de mágoa

 

assim guardamos as nuvens breves os gestos

os invernos o repouso a sonolência

o vento

arrastando para longe as imagens difusas

daqueles que amámos e não voltaram

a telefonar

 

 

Hôrto de incêndio, Assírio & Alvim,1997
Al Berto

 

Chamas

01.12.08, maripossa
id="BLOGGER_PHOTO_ID_5274906186901913986" />

Fui eu quem desceu o rio da vergonha pela primeira vez
Despido de qualquer idéia do rebanho
Atarantado e suavizado pela validade da ação
Aos gados, a terra; aos peixes, o mar; as homens, a liberdade
Estava escrito no peito do lúcido e misterioso ancião
Eu mesmo li sem precisar de lentes especiais
Pulsava firme a idéia tal qual nos primeiros anos
E revelava além do que a boca permitia expressar
Enxuguei-me e voltei a pensar nas tardes sombrias
Em um mês pesaroso e cruel
Lembrei-me das obrigações insensatas e inúteis
Agora tão distantes e ainda mais absurdas
Aonde estou, não vejo tantas leis a cumprimentar-me
Capazes de enfastiar até o gado mais estúpido - não fosse a hipnose
Abandonei o chocalho pregado em meu pescoço desde o nascimento
Não quero ser encontrado, localizado, rastreado
Do meu passado, apenas o casco das minhas unhas
Porque a realidade que vivo é a aventura mais humana
Sem posses e sem concessões, sem medo e sem violência
Desperto e renovado, fortalecido e revitalizado
Em chamas para iluminar a consciência que reside em mim

Bernardo Almeida