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Maripossa

Tudo que tem asas deve voar,por isso a borboleta selvagem o faz sem nunca olhar para onde.

Maripossa

Tudo que tem asas deve voar,por isso a borboleta selvagem o faz sem nunca olhar para onde.

A UMA ÁRVORE

25.03.09, maripossa


Árvore
Quando eu morrer hás-de ficar.
Hás-de ver o passar doutras Estações.
Hás-de ouvir as canções
De uns outros ninhos, noutras Primaveras.
Junto de ti, meu filho há-de sonhar
Minhas antigas, fúlgidas quimeras.



Árvore
Quando eu morrer, hás-de falar
De mim, que te plantei.
E, em cada ramo novo que brotar,
Serás um gesto meu a perdurar:

- Por ti, não morrerei …

Francisco Bugalho

Os Passaros de Londres

25.03.09, maripossa

Os pássaros de Londres cantam todo o inverno. Como se o frio fosse o maior aconchego nos parques arrancados ao trânsito automóvel, nas ruas da neve negra sob um céu sempre duro. Os pássaros de Londres falam de esplendor com que se ergue o estio, e a lua se derrama por praças tão sem cor, que parecem de pano em jardins, germinando sob mantos de gelo, como se gelo fora o linho mais bordado ou em casas como aquela onde Rimbaud comeu e dormiu e estendeu a vida desesperada estreita faixa amarela espécie de paralela entre o tudo e o nada. Os pássaros de Londres quando termina o dia e o sol consegue um pouco abraçar a cidade, à luz razante e forte que dura dois minutos nas árvores, que surgem subitamente imensas no ouro verde e negro que é sua densidade ou nos muros sem fim dos bairros deserdados onde não sabes ,não se vida rogo amor algum dia erguerão do pavimento cínzeo,algum claro limite os pássaros de Londres cumprem o seu dever
de cidadãos britânicos que nunca nunca viram os céus mediterrânicos.

Mário Cesariny