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Maripossa

Tudo que tem asas deve voar,por isso a borboleta selvagem o faz sem nunca olhar para onde.

Maripossa

Tudo que tem asas deve voar,por isso a borboleta selvagem o faz sem nunca olhar para onde.

Uma Rosa para ti Mulher

08.03.09, maripossa
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Tu amiga que és mãe! Mulher amiga, amante presente ou ausente, a que se preocupa nas horas nas noites nos dias! Mas sempre mulher, a que lavra e trabalha no campo, a que sofre a violência de alguém que não a ama! Mas sempre mulher, a que solta uma lágrima por seu amor! Mas sempre mulher,a da guerra que mata seus filhos...mas serás sempre mulher! Por tudo grita alto, e mostra ao mundo que és mulher aqui e agora,que para além de tudo isto continuas na labuta e na ternura amiga e amante, porque és simplesmente uma Mulher.

Para todas e eu incluida esta flor que todas gostamos da Rosa

Cheiro da Chuva

06.03.09, maripossa

Tão completamente o meu olhar perdido Cai e se perde na chuva.Fazendo poças de lembranças,
Que eu não sei onde o meu sentir se demora mais. Tateio com os dedos os ramos da árvore da vida,E escolho neles as palavras mais maduras.
Como fossem frutos. E dou de comer ao poema do instante,Para saciar a fome do potro vibrante como um violino,A galopar no meu peito.
À frente de cada emoção que quase rasga a alma.Tão completa e profundamente,
Existe a necessidade de exibir a colheita. Não importa qual ela tenha sido.

Se toda a beleza do existir pudesse ser mostrada. E toda a dor pudesse ser dividida na sua intensidade.Assim como os versos entendem o cheiro da chuva Que se perde nas ruas,
Bastaria apenas uma tempestade para explicar tudo.Como basta uma sinfonia,
Ou uma única lágrima dos olhos de quem se ama,Para nos fazer um mar de enternecimento,
No coração.

 

António Miranda Fernandes

 

O Mar é Longe, mas Somos Nós o Vento

06.03.09, maripossa


O mar é longe, mas somos nós o vento;
e a lembrança que tira, até ser ele, é doutro e mesmo, é ar da tua boca
onde o silêncio nasce e a noite aceita. Donde estás, que névoa me perturba



mais que não ver os olhos da manhã com que tu mesma a vês e te convém?
Cabelos, dedos, sal e a longa pele, onde se escondem a tua vida os dá; e é com mãos solenes, fugitivas, que te recolho viva e me concedo a hora em que as ondas se confundem
e nada é necessário ao pé do mar.

Pedro Tamen

Raíses

05.03.09, maripossa
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Velhas pedras que pisei
Saiam da vossa mudez
Venham dizer o que sei
Venham falar português
Sejam duras como a lei
E puras como a nudez.

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Minha lágrima salgada
Caíu no lenço da vida
Foi lembrança naufragada
E para sempre perdida
Foi vaga despedaçada
Contra o cais da despedida.

Visitei tantos países
Conheci tanto luar
Nos olhos dos infelizes
E porque me hei-de gastar?
Vou ao fundo das raízes
E hei-de gastar-me a cantar.

Sidonio Muralha

Aleluia

03.03.09, maripossa

Era a mulher — a mulher nua e bela,
Sem a impostura inútil do vestido Era a mulher, cantando ao meu ouvido,
Como se a luz se resumisse nela... Mulher de seios duros e pequenos
Com uma flor a abrir em cada peito. Era a mulher com bíblicos acenos
E cada qual para os meus dedos feito. Era o seu corpo — a sua carne toda.
Era o seu porte, o seu olhar, seus braços: Luar de noite e manancial de boda,

 

 

Boca vermelha de sorrisos lassos. Era a mulher — a fonte permitida
Por Deus, pelos Poetas, pelo mundo... Era a mulher e o seu amor fecundo Dando a nós, homens, o direito à vida!

 

Pedro Homem de Mello

A Secreta Viagem

03.03.09, maripossa


No barco sem ninguém, anónimo e vazio,
ficámos nós os dois, parados, de mão dada...
Como podem só dois governar um navio?
Melhor é desistir e não fazermos nada!

Sem um gesto sequer, de súbito esculpidos,
tornamo-nos reais, e de madeira, à proa...
Que figuras de lenda! Olhos vagos, perdidos...
Por entre nossas mãos, o verde mar se escoa...



Aparentes senhores de um barco abandonado, nós olhamos, sem ver, a longínqua miragem... Aonde iremos ter? — Com frutos e pecado, se justifica, enflora, a secreta viagem!
Agora sei que és tu quem me fora indicada. O resto passa, passa... alheio aos meus sentidos. — Desfeitos num rochedo ou salvos na enseada, a eternidade é nossa, em madeira esculpidos!

David Mourão-Ferreira

Adeus Camarada!

02.03.09, maripossa

(foto google)
A vida é muito curta e complicada,à pouco vim da despedida a um camarada meu,que partiu para bem longe. O V.2 nunca mais chega ao toque da sirene, ele partiu depois de servir com dignidade e honra aquilo a que se propôs, só não conseguiu enfrentar a doença terrível que dele se aproximou em dois meses.Tanto bem fez e ajudou, mas não conseguiu que alguém o ajuda-se.
Fica bem camarada, hoje não foi o fogo mas a doença que te levou.

Bolas de Sabão

01.03.09, maripossa

Nada melhor para o começo de Março e mês da primavera, apesar de hoje estar um dia de chuva e frio.E como a coisa mais linda são as crianças este poema às mesmas, e as bolas de sabão que todos nós já fizemos e gostávamos, de as ver voar em direcção ao céu, da esperança de cada um de nós.

 

 

As bolas de sabão que esta criança
Se entretém a largar de uma palhinha
São translucidamente uma filosofia toda.
Claras, inúteis e passageiras como a Natureza,
Amigas dos olhos como as coisas,
São aquilo que são

(fotos Sapo)
Com uma precisão redondinha e aérea,
E ninguém, nem mesmo a criança que as deixa,
Pretende que elas são mais do que parecem ser.
Algumas mal se vêem no ar lúcido.
São como a brisa que passa e mal toca nas flores
E que só sabemos que passa
Porque qualquer coisa se aligeira em nós
E aceita tudo mais nitidamente.

 

Alberto Caeiro

Vida

01.03.09, maripossa
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Choveu! E logo da terra humosa
Irrompe o campo das liliáceas.
Foi bem fecunda, a estação pluviosa!
Que vigor no campo das liliáceas!
Calquem. Recalquem, não o afogam.
Deixem. Não calquem. Que tudo invadam.
Não as extinguem. Porque as degradam?
Para que as calcam? Não as afogam.
Olhem o fogo que anda na serra.
É a queimada... Que lumaréu!

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Podem calcá-lo, deitar-lhe terra,
Que não apagam o lumaréu.
Deixem! Não calquem! Deixem arder.
Se aqui o pisam, rebenta além.
_ E se arde tudo? _ Isso que tem?
Deitam-lhe fogo, é para arder...

Camilo Pessanha

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