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Maripossa

Tudo que tem asas deve voar,por isso a borboleta selvagem o faz sem nunca olhar para onde.

Maripossa

Tudo que tem asas deve voar,por isso a borboleta selvagem o faz sem nunca olhar para onde.

Não posso adiar o coração

28.05.09, maripossa
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Não posso adiar o amor para outro século
não posso, ainda que o grito sufoque na garganta
ainda que o ódio estale e crepite e arda, sob montanhas cinzentas
e montanhas cinzentas
Não posso adiar este abraço, que é uma arma de dois gumes, amor e ódio

Não posso adiar
ainda que a noite pese séculos sobre as costas, e a aurora indecisa demore
não posso adiar para outro século a minha vida, nem o meu amor, nem o meu grito de libertação
Não posso adiar o coração

António Ramos Rosa

Há-de Flutuar uma Cidade.

28.05.09, maripossa

Há-de flutuar uma cidade no crepúsculo da vida pensava eu... como seriam felizes as mulheres à beira mar debruçadas para a luz caiada, remendando o pano das velas espiando o mare a longitude do amor embarcado por vezes.
Uma gaivota pousava nas águas outras era o sol que cegava, e um dardo de sangue alastrava pelo linho da noite os dias lentíssimos... sem ninguém e nunca me disseram o nome daquele oceano esperei sentado à porta... dantes escrevia cartas
punha-me a olhar a risca de mar ao fundo da rua assim envelheci... acreditando que algum homem ao passar, se espantasse com a minha solidão

(anos mais tarde, recordo agora, cresceu-me uma pérola no coração. Mas estou só, muito só, não tenho a quem a deixar.) um dia houve que nunca mais avistei cidades crepusculares
e os barcos deixaram de fazer escala à minha porta inclino-me de novo para o pano deste século. Recomeço a bordar ou a dormir tanto faz.
Sempre tive dúvidas que alguma vez me visite a felicidade


Al Berto