Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Maripossa

Tudo que tem asas deve voar,por isso a borboleta selvagem o faz sem nunca olhar para onde.

Maripossa

Tudo que tem asas deve voar,por isso a borboleta selvagem o faz sem nunca olhar para onde.

A Leitora

09.04.10, maripossa

 

A leitora abre o espaço num sopro subtil.

Lê na violência e no espanto da brancura.

Principia apaixonada, de surpresa em surpresa.

Ilumina e inunda e dissemina de arco em arco.

Ela fala com as pedras do livro, com as sílabas da sombra.

Ela adere à matéria porosa, à madeira do vento.

Desce pelos bosques como uma menina descalça.

Aproxima-se das praias onde o corpo se eleva

em chama de água. Na imaculada superfície

ou na espessura latejante, despe-se das formas,

branca no ar. É um torvelinho harmonioso,

um pássaro suspenso. A terra ergue-se inteira

na sede obscura de palavras verticais.

A água move-se até ao seu princípio puro.

O poema é um arbusto que não cessa de tremer.

 

António Ramos Rosa

6 comentários

Comentar post