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Maripossa

Tudo que tem asas deve voar,por isso a borboleta selvagem o faz sem nunca olhar para onde.

Maripossa

Tudo que tem asas deve voar,por isso a borboleta selvagem o faz sem nunca olhar para onde.

As Borboletas

04.05.08, maripossa

De uma querida amiga que teve a gentileza de oferta desta linda foto, com uma borboleta aqui vai ser postado um texto sobre a mesma, pode considerar uma atenção e um carinho

 

As Borboletas

É Outono no Sul do Mundo. Estou numa ilha ancorada no Oceano Atlântico,
e uma cigana tenta me vender tapetinhos que não quero, que nada têm a
ver comigo. Como não vou querer mesmo, imagino que ela vá me amaldiçoar quando se for, como as ciganas fazem muitas vezes. Não creio em maldições de ciganas - creio, sim, na bênção leve que vem das asas das
borboletas.
Tenho um mundo povoado de borboletas, não importa aonde ande, mas parece que aqui nesta Ilha, em dias de Outono e céu azul, as borboletas
fiquem mais visíveis. É como se elas revoluteassem à minha volta,
lindas e coloridas, e cada uma me trouxesse uma prenda, uma alegria.
Talvez porquê elas pensem que esta ilha é um navio que vai singrando
mares tão desconhecidos quanto os de Goneville - mas como elas podem
pensar tal coisa se este é um mar de Sol e Outono, e não o Mar das Brumas?
Disse Quintana que o segredo é não correr atrás das borboletas, e
penso: Quintana viveu a menos de 500 quilómetros daqui. Poderia ir até
à terra onde ele viveu, remando numa canoa. Talvez nem precisasse
remar, talvez surgissem grandes borboletas que, voando, puxassem a
minha canoa como os cavalos puxam as carruagens. Não seria a mesma
coisa que correr atrás das borboletas - elas me levariam a reboque por
vontade própria até lá na terra onde havia um poeta que escreveu um
regulamento de vida para que elas e os humanos se entendessem direito.
As borboletas neste dia de Outono, nesta Ilha! Elas me circundam e
me encantam, e recendem à maresia! Talvez haja tantas aqui porque
descobri o segredo de Quintana, e trato de cuidar do jardim para que
elas um dia venham pousar, caso quiserem. E se nunca pousarem? Obedeço
a Quintana, não corro atrás delas! Se nunca pousarem, vou saber que a
vida valeu a pena, porque elas sempre estão por perto, e ainda mais por
este dia nesta Ilha, quando, confundidas, elas não distinguem muito bem
se isto é Ilha ou Navio, e indiferente a ciganas e suas maldições, me
abençoam por todos os lados, leves, coloridas, luminosas e mágicas,
quase como se fossem feitas de eflúvios de perfume de tangerinas, e são
tão parecidas com o meu amor!

Mário Quintana