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Maripossa

Tudo que tem asas deve voar,por isso a borboleta selvagem o faz sem nunca olhar para onde.

Tudo que tem asas deve voar,por isso a borboleta selvagem o faz sem nunca olhar para onde.

Maripossa

02
Out08

Na Manhã

maripossa

Algum tempo atrás  como faço muitas vezes de visita a biblioteca municipal, encontrei livros de um poeta e escritor, e gostei de ler o mesmo. Pois ele fala, para mim para ti e para um qualquer, aquela linguagem que se chama povo! Adorei suas palavras, como tal aqui vai uma bela poesia sua .

 

Na Manhã

 

No ventre da noite

a manhã-fermento

dos teus sonhos

 

Já aurora

risca traços de marfim

no amanhecer

 

E não mais ocasos feitos trevas

de punhais cravados

no peito

dos dias sem tempo

 

Dou-te minhas mãos

calosas

também manhã -fermento

também marfim

também sonho nos teus sonhos

 

O dia será nosso

 

Álvaro de Oliveira (mãos de sal)

 

26
Nov07

As Pessoas Sensíveis

maripossa

As pessoas sensíveis não são capazes
De matar galinhas
Porém são capazes
De comer galinhas


O dinheiro cheira a pobre e cheira
À roupa do seu corpo
Aquela roupa
Que depois da chuva secou sobre o corpo
Porque não tinham outra
O dinheiro cheira a pobre e cheira
A roupa
Que depois do suor não foi lavada
Porque não tinham outra


"Ganharás o pão com o suor do teu rosto"
Assim nos foi imposto
E não:
"Com o suor dos outros ganharás o pão."


Ó vendilhões do templo
Ó constructores
Das grandes estátuas balofas e pesadas
Ó cheios de devoção e de proveito


Perdoai-lhes Senhor
Porque eles sabem o que fazem.

Sophia de Mello Breyner Andresen


26
Set07

Onde o Homem Não Chega

maripossa

Onde o Homem não chega tudo é puro,

dessa pureza da primeira infância.

Tudo é medida,ritmo,concordância,

tudo é claro e auroral: a noite, o escuro.

E nem o vendaval é dissonância

mas promessa de sol e de futuro.

Quem levantou esse primeiro Muro

que do perto fez longe,ergeu distância?

Foi o Homem,com suas mãos de barro,

com suas mãos perjuras,fel e sarro

de inútil sofrimento e vil prazer.

Não é tarde, porém: sacode a lama,

ergue o facho, levanta a Deus a chama

e recomeça: acabas de nascer.

Fernanda Castro

21
Set07

Se Os Poetas Dessem as Mãos

maripossa

Se os poetas dessem as mãos

E fechassem o Mundo

No grande abraço da Poesia,

Cairiam as grades das prisões

Que nos tolhem os passos,

Os arames farpados

Que nos rasgam os sonhos,

Os muros de silêncio,

As muralhas da cólera e do ódio,

As barreiras do medo,

E o Dia, como um pássaro liberto,

Desdobraria enfim as asas

Sobre a noite dos homens.

 

 

Se os Poetas dessem as mãos

E fechassem o Mundo

No grande abraço da Poesia

 

 

Este poema desta grande Poeta que foi

Fernanda de Castro

 

 

Eu dedicaria aos amigos que visitam este blog numa grande manifestação de amizade um abraço desta grande Poesia

19
Set07

O Segredo de Amar

maripossa

 

O segredo é amar.Amar a Vida

Com tudo o que há de bom e mau em nós

Amar a hora breve e apetecida,

Ouvir os sons em cada voz

E ver todos os céus em cada olhar.

 

 

Amar por mil razões e sem razão.

Amar, só por amar,

Com os nervos, o sangue, o coração.

Viver em cada instante a eternidade

E ver, na propia sombra, claridade.

 

O segredo é amar, mas amar com prazer,

Sem limites, fronteiras, horizonte.

Beber em cada fonte,

Florir em cada flor,

Nascer em cada ninho,

Sorver a terra inteira como o vinho.

 

Amar o ramo em flor que há-de nascer,

De cada obscura, tímida raiz.

Amar em cada pedra, em cada ser,

S. Francisco de Assis.

 

 

Amar o tronco, folha verde,

Amar cada alegria, cada mágoa,

Pois o beijo de amor jamais se perde

E cedo refloresce em pão, em água

Fernanda de Castro

70 Anos de Poesia

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