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Maripossa

Tudo que tem asas deve voar,por isso a borboleta selvagem o faz sem nunca olhar para onde.

Maripossa

Tudo que tem asas deve voar,por isso a borboleta selvagem o faz sem nunca olhar para onde.

Pressa de Viver

18.11.08, maripossa
Nascemos e exigimos desde logo o nosso espaço.Temos pressa de viver, guardamos para o fim o que idealizamos, aquilo que sonhamos ser nosso mote de imortais. Imaginamos grandes discursos, sonhamos altas posições. Se fôssemos... Se pudéssemos...Se... _ Amanhã.hoje não posso; não tenho tempo.Sabes muito trabalho! Ando estoirado.Quase não durmo.Amanhã,hoje não posso,,não tenho tempo. mas amanhã eu faço,amanhã eu grito,amanhã eu luto,(...) _Amanhã não haverá mais crianças (...)

A Onda

03.11.08, maripossa
Era uma onda que crescera para lá do meio do mar e mais se alçava em corpulência das ondas que tragava pelo caminho. Era uma onda ávida. Com ela rolavam búzios alucinados, estilhaços de conchas, madeiros, plâncton, algas, o último alento dos afogados... Era uma onda violenta. A exaltação que trazia dos confins do horizonte nem lhe dera para se interrogar sobre qual o desígnio do seu destino. Era uma onda embriagada de vida. Desfraldada em cachão, cavalgava para terra. A rojar-se s (...)

Os fios dos Estendais

28.10.08, maripossa
Os fios dos estendais entoam nos pátios como gritos de bailarinas.São coisas lindas, os pátios. Mostram as janelas que suportam roupas. E uma chuva húmida e quente estremece e dança no pátio. Lambe-o e deixa-o devassado.Mais belo que campo de trigo. He-le-na. E da helena correm gotas de avelã que inundam o pátio de prazer.E de helena se levantam braços que seguram o branco do lençol entre os dedos, que o arrastam pelo fio que treme, que apertam, que puxam, que passam pela pele, (...)

Aquele Amigo

15.10.08, maripossa
id="BLOGGER_PHOTO_ID_5257407390629164306" /> Olha amigo! Hoje vais ser meu confidente sabes,há muito muito tempo também te escrevi De certo já nem lembras E nem te podes lembrar,claro. Afinal, tanto tempo já passou.O que te disse sem falar,nem bem já sei. Mas não se muda tanto assim. E hoje,se calhar,vou-te falar do mesmo É que ,e no fundo,o mundo não mudou.Pois não!mas como eu gostava que tivesse mesmo mudado.Afinal os homens crescem,são até alguém,mas continuam a ser (...)

Deixemos a Humanidade à Sua Ordem Natural

08.10.08, maripossa
Não aleijemos a pobre humanidade mais do que ela já está com tantas sacudidelas da direita para a esquerda e da esquerda para a direita, de cima para baixo e de baixo para cima. Do individualismo para o colectivismo e do colectivismo para o individualismo. Não sejamos tão crianças que queiramos levantar ao ar a esfera pretendendo agarrá-la apenas pelo hemisfério da direita ou apenas pelo da esquerda, ou apenas pelo hemisfério superior, porque a única maneira de agarrá-la bem (...)

O Unico Sabor

08.09.08, maripossa
Sabor, sabor oculto, submerso,sabor adormecido, ó rosas, ó antes, primaveras, sabor só abruptamente surto na queda do sono, no fulgor de um relâmpago, surto, submerso.Ó sabor antes da consciência, antes de tudo, ó sabor só nascido sobre a paz última de tudo para além de tudo, sabor da terra ainda antes dos olhos, sabor a nascer, sabor-desejo, antes do beijo, sabor de beijo, sabor mais lento, mais fundo, mais de dentro,sabor a marulhar, cálido, denso, como a cor, sabor de (...)

A Solidão do Artista

16.07.08, maripossa
Diz-se às vezes de certas pessoas, e para isso se reprovar, que têm dupla personalidade. Mas dupla ou múltipla têm-na normalmente os artistas. Ela é pelo menos a do convívio exterior e a do seu intimismo. Se trazem esta para a rua, são quase sempre insuportáveis. Só se suporta o que é de um profundo interesse, quando isso é rentável. Imagino que o capitalista tenha na sua vida íntima um mundo de cifrões. Se o cifrão vier à rua, tem ainda cotação. Mas o artista? Mesmo a (...)

A Fábula do Vento

15.07.08, maripossa
id="BLOGGER_PHOTO_ID_5223312132610851954" /> O que eu te quero contar não foi dito nem escrito na pele de nenhuma página. Ou foi dito e escrito milhares de vezes e milhares de vezes apagado pela própia palavra. Sem visão,no vão esquecimento,tento iniciar uma fábula do vento até à ondulação,até à transparência. Tenho na boca o sabor de um canto que é já o canto de um sabor aéreo. O meu desejo procura construir cálices incendiados,sílabas amorosas,hieroglifos de água e (...)

Ontem à Noite

14.07.08, maripossa
id="BLOGGER_PHOTO_ID_5222980050364806610" /> Ontem à noite, depois da sua partida definitiva, fui para aquela sala do rés-do-chão que dá para o parque, fui para ali onde fico sempre no mês de junho, esse mês que inaugura o Inverno. Tinha varrido a casa, tinha limpo tudo como se fosse antes do meu funeral. Estava tudo depurado de vida, isento, vazio de sinais, e depois disse para comigo: vou começar a escrever para me curar da mentira de um amor que acaba. Tinha lavado as minhas (...)

A Espera do Vento

09.07.08, maripossa
id="BLOGGER_PHOTO_ID_5221117837410848418" /> Espero. Espero o vento. Coloco-me na área aberta entre a areia e o sal. O meu desejo é pólen.,delírio da pedra,labirinto de folhas.É talvez a energia da cinza que me move. Escrevo com três vogais de água pura e quatro palavras de sol branco. Um sinal desenhado na argila,uma minúscula aranha,uma pequena chama no solo,o tremor do ar,tudo indica que as palavras,entre o sono e o sol,se consumarão com a verde energia do desejo liberto